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Procon-SP discute sobre propostas de mudança no transporte aéreo

Revisão das regras proposta pela ANAC foi discutida em Audiência Pública; para o órgão de defesa paulista, há preocupação com o afastamento do Código de Defesa do Consumidor

Publicado em 20 de fevereiro de 2026

São Paulo, fevereiro de 2026 – A revisão das normas relativas ao transporte aéreo de passageiros não deve representar um retrocesso nos direitos dos consumidores, de acordo com entendimento do Procon-SP. A fundação participou de audiência pública sobre tais mudanças propostas pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), órgão responsável pela regulação do setor, no último dia 11.

Durante a audiência, o Procon-SP reforçou sua preocupação com relação aos retrocessos que o setor vem enfrentando. Nesse sentido, trata-se de um setor sensível, regulado pelo poder público e que deve cumprir as diretrizes do Código de Defesa do Consumidor, e os pontos consolidados quanto à norma que rege as relações entre as companhias aéreas e os consumidores.

A justificativa da Anac para propor as alterações é alinhar as regras ao Código Brasileiro de Aeronáutica e ao que considera melhores práticas regulatórias internacionais: reduzindo conflitos de interpretação que resultaram em judicialização, reconhecendo que atrasos e cancelamentos podem ocorrer mesmo com operação regular e reforçando o dever de informação aos passageiros.

Atenção ao Código e às mudanças climáticas

Nesse sentido, o Procon-SP observa que usar regras e normas diversas, além de gerar conflito, principalmente no que se refere à responsabilidade, irá gerar mais instabilidade nas relações. Quanto à judicialização (passageiros que entram com ação na Justiça contra as empresas aéreas), destaca que elas surgem, em geral, de falhas na prestação de serviço.

“Importante que os pontos centrais das reclamações dos consumidores, sejam de fato analisados, internalizados pelas companhias com o compromisso de melhoria na qualidade do serviço que é oferecido no mercado de consumo. Notamos que há um transbordo para os Procons, órgão regulador e Poder Judiciário, cujas condutas são reiteradas, perpetuando conflitos e gerando efeito em escala”, explica a diretora de Assuntos Jurídicos do Procon-SP, Patrícia Dias.

A Fundação também destacou que os eventos climáticos devem ser tratados com atenção pelo setor aéreo. Foi ressaltado, inclusive, a importância de se ter plano de contingências, mecanismos de informação e solução preventiva de conflitos. E que mudanças climáticas não podem servir como excludente de responsabilidade, ainda mais diante de casos cuja previsibilidade está mais que demonstrada pelos órgãos meteorológicos.

Reunião com o setor

Além da participação na audiência pública, o Procon-SP promoveu uma reunião na última quinta-feira (12) com as principais empresas para discutir pontos importantes a respeito deste segmento do mercado. Estiveram presentes representantes da Azul, da Gol e da Latam. “O convite feito às empresas foi no sentido de estabelecer um diálogo colaborativo para melhoria do serviço de transporte aéreo para os consumidores”, afirma o diretor executivo do Procon-SP, Luiz Orsatti.

Melhores práticas, questões regulatórias, aperfeiçoamento constante dos canais de atendimento ao consumidor – inclusive sobre o fato de queixas não resolvidas diretamente pelas empresas que acabam sendo trazidas para os Procons – programa de milhagem estiveram entre as questões abordadas. A previsão é de que haja nova rodada de reuniões com as companhias aéreas.

Assessoria de Comunicação Social | Procon-SP