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Cesta básica de abril

13/5/2010

Procon-SP constata alta de 3,1%

O valor da cesta básica de abril apresentou alta de 3,1%, revela pesquisa realizada pela Fundação Procon-SP em convênio com o Dieese. O preço médio que no dia  31/03/10 era R$ 292,27, e passou para R$ 301,34, em 30/04/10. 
             
Dos 31 produtos pesquisados, 19 apresentaram alta,11 diminuíram de preço e um permaneceu estável. Todos os grupos – Alimentação, Limpeza e Higiene Pessoal – tiveram variação positiva: 3,59%, 1,49% e 0,25%, respectivamente.
 
Entre os produtos que compõem o grupo Alimentação, destacam-se os que registraram as maiores altas de preço: feijão carioquinha – pacote 1kg (57,62%); batata – kg (18,77%); queijo muzzarela fatiado – Kg (6,09%). A dúzia de ovos brancos apresentou a maior queda de preço (-6,55%).
 
A variação no ano é de 6,94% (base 29/12/2009), e nos últimos 12 meses, de 6,27% (base 30/04/2009). O último recorde da cesta básica desde o Plano Real foi de R$ 305,30, em 23/07/2008.
 
Os aumentos ou quedas de preço dos produtos que compõem a cesta básica nem sempre estão atrelados a algum desequilíbrio entre oferta e demanda, motivado por razões internas (quebras de safra, política de preços mínimos aos produtores, conjuntura econômica do país, etc.) ou por razões externas (mudanças no cenário internacional, restrições políticas ou sanitárias às importações brasileiras, etc.). As alterações de preços, especialmente as de pequena magnitude, podem refletir tão somente procedimentos adotados por determinados supermercados da amostra, seja para estimular a concorrência, para se destacar em algum segmento, ou simplesmente para “desovar” estoques através do rebaixamento temporário dos preços.
 
A análise a seguir pretende focalizar os produtos com maior participação na variação do valor médio da cesta básica deste mês:
 
Feijão
Neste mês, o preço do feijão carioquinha (pacote de 1kg) apresentou alta de 57,62%, é o segundo mês consecutivo de altas expressivas, depois de sete meses de queda. Foi a maior variação mensal desde maio de 1998, quando registrou alta de 58,72% em relação ao mês anterior. A variação acumulada no ano foi de 83,89%.     
        
O plantio do feijão é feito principalmente por pequenos e médios produtores, que cultivam para o próprio consumo e vendem o excedente. A alta de preços nas prateleiras dos supermercados aconteceu, primeiro, porque os produtores estavam desestimulados com os preços do produto e partiram para outras culturas, restringindo a oferta. Este ano, além da redução da área plantada, o clima atrapalhou a produção: em determinadas regiões de  Minas Gerais a chuva atrapalhou a colheita e no Nordeste a seca prejudicou a safra.
 
O movimento de alta dos preços também foi motivado pelo período de entressafra na região sul. Em meados de abril, mesmo com quase 40% da área colhida, o preço do feijão carioca reagiu, dado que a oferta não se mostrou suficiente para suprir a demanda.
 
Preocupado com a disparada dos preços, o governo federal pretende leiloar preventivamente os estoques públicos de feijão, a fim de evitar que o produto volte a impulsionar o preço dos alimentos, como ocorreu em 2008.
 
Batata   
Apesar da maior área cultivada para a safra das águas neste ano, a oferta da batata foi menor devido à baixa produtividade nas principais praças produtoras. Este fato deveu-se ao clima desfavorável durante o desenvolvimento do tubérculo: altas temperaturas e excesso de chuvas na maior parte das regiões do sul e déficit hídrico no Triângulo Mineiro/Alto do Paranaíba (MG). Minas Gerais produz 35% da batata brasileira na safra das águas.

Além disso, com o intuito de promover a alta dos preços, muitos produtores vêm adiantando a colheita antes que a cultura chegue ao final do ciclo, reduzindo ainda mais a produtividade.
Apesar das perdas de produção, ocasionadas pelas doenças trazidas pelo excesso de chuva e de calor em determinadas regiões, pode haver uma reversão  dos preços já a partir de maio, uma vez que as regiões de Guarapuava (PR), Água Doce (SC) e Bom Jesus (RS) continuarão em pico de safra.  

O preço da batata (kg) apresentou alta de 18,77%. A variação acumulada no ano foi de 64,57%.
 
Leite e Derivados
Os preços do leite e seus derivados mantiveram-se em alta no mês de abril no mercado interno. Na pesquisa mensal da cesta básica foi a segunda alta consecutiva do preço do leite e a terceira do preço do queijo muzzarela.

A antecipação da entressafra e a maior procura da indústria alimentícia pela matéria prima são as principais razões para o aumento de preço. A disponibilidade de leite ainda insuficiente para atender à demanda fez os preços pagos aos produtores subirem entre março e abril deste ano, principalmente nas bacias leiteiras das regiões central, sul e sudeste do Brasil. Segundo dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada – CEPEA, o preço pago aos produtores em março foi superior ao pago no mês anterior e, impulsionados pelo reajuste, preços de derivados do leite como queijo muzzarela e leite em pó ficaram mais caros.
 
O preço do leite deve continuar a trajetória de alta pelo menos até agosto, de acordo com a opinião de especialistas. Com a entrada da entressafra propriamente dita e com a chegada dos dias mais frios e secos, as pastagens diminuem e o custo para alimentar o gado leiteiro aumenta.
 
O preço do leite em pó integral (emb. 400-500 g) apresentou variação positiva de 1,16% na cesta básica deste mês. O queijo muzzarela fatiado (kg) apresentou variação positiva de 6,09% e variação acumulada no ano de 15,59%.

Carne Bovina
Os preços da carne bovina continuam em alta, tendência observada desde o início do ano.
 
No início do mês, o aumento da umidade no solo favoreceu o desenvolvimento das pastagens nas fazendas de gado leiteiro do Vale do Paraíba e do boi gordo nas regiões central e norte. Com o pasto de boa qualidade, os pecuaristas passaram a prolongar o tempo dos animais no campo, aguardando o aumento dos preços da arroba do boi. Os frigoríficos paulistas que compram gado em várias praças alongaram mais as escalas; as vendas compassadas e o alto preço de reposição deixaram o mercado menos ofertado.

Além da qualidade do pasto, a recuperação do mercado externo tem mantido a demanda num patamar acima daquilo que os agentes de mercado esperavam para este início de ano. A alta dos preços, portanto, é resultado da conjunção de dois fatores fundamentais: mercado menos ofertado e aumento da demanda.   

Segundo analistas do setor, embora a estiagem nas principais regiões produtoras tenha colaborado para elevar a oferta, o mercado do boi gordo tende a ficar firme no curto prazo porque não há possibilidade de a oferta de gado crescer tanto, uma vez que não existe rebanho suficiente. Os preços devem prosseguir em alta.

Na cesta básica de abril, o preço da carne de primeira (kg) apresentou alta de 1,57%. O preço da carne de segunda (kg) apresentou alta de 4,78% e variação acumulada no ano de 6,88%.  

Ovos
O preço dos ovos voltou a cair no mês de abril, depois de dois meses de altas consecutivas. O ovo entrou no período de pós-Páscoa de 2010 com a menor cotação dos últimos três meses e, a princípio, sem tendência de altas no curto prazo.

Com a aproximação do inverno – período de luminosidade decrescente e, portanto, de menor produtividade do plantel – poderia se esperar uma reação dos preços para os próximos meses. Essa condição, no entanto, pode não ser suficiente, já que a tecnologia (iluminação artificial) neutraliza em parte essa característica natural das poedeiras. Por enquanto o mercado segue bem abastecido e, segundo especialistas do setor, o produto encontrou um ponto de estabilização.

Na pesquisa de abril, o preço dos ovos brancos (kg) apresentou queda de 6,55%.

Açúcar
O preço do açúcar apresentou, em abril, a segunda queda consecutiva (4,18%) na pesquisa mensal da cesta básica.

A mesma Índia que causou euforia no setor brasileiro quando os preços começaram a subir, ainda no segundo semestre de 2009, neste momento causa apreensão nos produtores e tradings do Brasil. Com a melhora do clima, a produção do país asiático na atual safra avançou. A excelente condição climática nos dois países tende a causar uma superprodução, com consequente queda dos preços.

No mercado paulista, a baixa de preço também está atrelada à menor demanda, principalmente do açúcar cristal. De acordo com analistas do setor, após ter promovido uma alta expressiva de preços, o mercado está se ajustando à percepção de oferta e demanda para níveis mais confortáveis de abastecimento.
 
Variação do Valor da Cesta Básica
 
Gráficos da Pesquisa

13/05/2010
Assessoria de imprensa
Procon-SP


 
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